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Canto feminino do Brasil se amplifica na era da diversidade pop

Karol Conka, foi contratada neste ano de 2017 pela multinacional Universal Music após fazer barulho através de plataforma independente

Canto feminino do Brasil se amplifica na era da diversidade pop

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Francisco Silva 06/08/2017 às 22:34 06/08/2017 às 22:34

As cantoras do Brasil dos anos 2010 tiveram que aprender a ser virar no atual esquema fonográfico. Gravar disco com orçamento providenciado por grande gravadora é privilégio de poucas. A maioria banca o álbum por conta própria – às vezes com patrocínio de editais de cultura ou com recursos de financiamento coletivo. Somente numa segunda etapa, com o disco já pronto, é que a cantora parte para a tentativa de fechar acordo de distribuição desse disco com algum selo ou companhia fonográfica.


Contudo, há exceções. Karol Conka, rapper curitibana já bastante popular, foi contratada neste ano de 2017 pela multinacional Universal Music após fazer barulho com um primeiro álbum lançado através de plataforma independente. Anitta surgiu no marginalizado universo funk fluminense, mas soube pavimentar caminho que já inclui flertes com o mainstream do mercado norte-americano.


Em comum, as cantoras da geração 2010 têm o fato de quebrarem tradição histórica de referências ao canto a vozes de outras gerações. Há saudações, como a de Karol Conka a Elza Soares. Mas já não há um decalque de vozes anteriores no canto pop feminino da era digital, ainda que se observe ecos da voz cristalina de Gal Costa no canto de Tulipa Ruiz, sensação da música brasileira em 2010. De modo geral, cada cantora segue o próprio caminho sem abrir a cortina do passado. Nem Marisa Monte é mais referência para essa geração 2010.


Referências e reverências à parte, já é possível caminhar sem o apoio de grandes gravadoras e fazer sucesso em nichos do mercado. A já citada Tulipa Ruiz é caso exemplar de sucesso viável no mercado independente. A cantora paulistana chegou a ser assediada por multinacionais do disco, mas recusou por não ver vantagens no que lhe foi oferecido pela indústria do disco.

 


Com ou sem apoio da mídia e da indústria tradicionais, a popularização da web e das redes sociais no Brasil – sobretudo o Facebook e o Instagram – abriu canal direto entre público e artista. Anitta é exemplo de como o bom uso dessas redes impulsiona a carreira. Cantoras como a paulistana Verônica Ferriani optaram por disponibilizar discos para download gratuito e legalizado nos próprios sites oficiais. Perdem vendas, mas ganham admiradores que passam a frequentar os shows.


Assim como a cena musical brasileira ficou cada vez mais segmentada (o que faz com que uma cantora lote shows Brasil afora com determinado tipo de público e seja totalmente desconhecida por outra fatia de público e em outro segmento do mercado), o caminho para a veiculação da música atualmente tem sido pavimentado pela pluralidade. Não há um caminho, aliás, mas vários caminhos que podem ou não se cruzar.


Uma cantora já não precisa necessariamente de gravadora para atingir o sucesso. Mas isso não quer dizer que grande gravadora já não possa transformar uma cantora em sucesso nacional. Ludmilla, cantora fluminense de pop funk lançada pela Warner Music no rastro do sucesso de Anitta, tem a máquina dessa gravadora a favor dela.


O que predomina são cantoras identificadas com nichos específicos. Se a carioca Teresa Cristina é cultuada pelos admiradores do samba desde 2002, a paulistana Mallu Magalhães – artista revelada na internet em 2007 quando ainda era adolescente e grande destaque neste ano de 2017 com o álbum Vem – mobiliza público mais indie e jovem.


Com maior ou menor sucesso, todas são vozes de mulheres que se fizeram ouvir no Brasil, populoso país de cantoras. São nomes que trilham caminhos desbravados numa era de (re)começo delimitado pelo aparecimento de Marisa Monte, uma das protagonistas dessa história que jamais terá fim. Na era da diversidade pop, da independência e das plataformas de streaming, o canto feminino jamais será abafado como em tempos idos.

Fonte: G1

Karol Conka Anitta funk

Francisco Silva

Proprietário da web Rádio Amazônia Central, Acadêmico em sistemas de informação 8º período (2/2017) e Editor de imagens. WhatsApp (69) 9 9283-9969

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