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Ney Matogrosso e Nação Zumbi fazem mistura original

Eles tocaram músicas da Nação e dos Secos e Molhados, mas voz aguda de Ney e grave de Jorge não se encaixaram bem.

Ney Matogrosso e Nação Zumbi fazem mistura original

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Francisco Silva 23/09/2017 às 08:03 23/09/2017 às 08:03

Ney Matogrosso e Nação Zumbi fizeram, nesta sexta-feira (22), um dos raros shows do Palco Sunset que cumpriram 100% a proposta de encontro musical no Rock in Rio. Ambos ficaram o tempo inteiro juntos no palco e retrabalharam as músicas da Nação e dos Secos e Molhados, antiga banda de Ney. O problema é que as vozes não se misturaram bem.

Parecia difícil achar um tom para o vocal agudo de Ney Matogrosso e o grave de Jorge Du Peixe. Em geral, um tentava cantar a uma oitava de distância do outro - ou seja, bem distantes. Mas em algumas faixas como "Sangue latino", do Secos, e "A ordem é samba", de Jackson do Pandeiro, parecia que cada um cantava uma música diferente.

O mesmo não se pode dizer do discurso político: nisso eles se afinaram bem. Antes de "Tem gente com fome", música do repertório solo de Ney, Jorge fez discurso contra a fome, respondido por um coro de "Fora Temer". Quando o coro voltou após a música, Jorge ainda disse: "É isso aí, fora Temer".

No início, o show foi vendido como um retorno inédito de Ney ao repertório dos Secos e Molhados. Ele fez parte do grupo em um período curto e marcante, entre 1973 e 1974. Mas não foi bem assim: menos da metade das músicas era da banda - mais exatamente sete das quinze da noite.

Mais duas eram de fontes externas: "Refazenda", de Gilberto Gil, e "A ordem é samba", de Jackson do Pandeiro.

Quando funcionou, como em "Fala" e "Maracatu atômico", gerou algo realmente novo: as paredes de percussão da Nação Zumbi ganharam delicadeza, com Ney dançando à sua frente. Não é um elemento estranho na música da banda pernambucana: a guitarra de Lúcio Maia já faz esse contraste melódico com a dureza dos tambores.

Quando Ney entrava nas músicas do Nação, o estranhamento foi menor, já que ele fazia intervenções mais curtas. Talvez tenha faltado alguém ter coragem de dizer ao Jorge Du Peixe que ficaria melhor só com a banda e o Ney.

Jorge não tem culpa do desencontro - aliás, em "Sangue latino", quem errou feio do início ao fim foi Ney Matogrosso. E não que o vocalista original seja ruim com o Nação, até porque os pernambucanos fazem coisas boas há anos. O problema é que era difícil mesmo achar o tom comum.

No final, o público aplaudiu bastante e pediu o "mais um" com insistência. Mas ia ser legal ver um show inteiro com Ney e a Nação sem tantos deslizes. Ao menos, não dá para dizer que não se arriscaram.

Nação Zumbi e Ney Matogrosso tocam no Rock in Rio.  (Foto: Fábio Tito / G1)

Nação Zumbi e Ney Matogrosso tocam no Rock in Rio. (Foto: Fábio Tito / G1)

Público no show da Nação Zumbi e Ney Matogrosso no Rock in Rio. (Foto: Fábio Tito / G1)

Público no show da Nação Zumbi e Ney Matogrosso no Rock in Rio. (Foto: Fábio Tito / G1)

Nação Zumbi e Ney Matogrosso tocam no Rock in Rio. (Foto: Fábio Tito / G1)

Nação Zumbi e Ney Matogrosso tocam no Rock in Rio. (Foto: Fábio Tito / G1)

Fonte: G1

Ney sunset Jackson

Francisco Silva

Proprietário da web Rádio Amazônia Central, Acadêmico em sistemas de informação 8º período (2/2017) e Editor de imagens. WhatsApp (69) 9 9283-9969

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