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Temer usa ‘dados extraoficiais’ para falar de desmatamento

Temer usa ‘dados extraoficiais’ para falar de desmatamento

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Francisco Silva 23/09/2017 às 07:47 23/09/2017 às 07:47

Começou na terça-feira (19) a 72ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e, seguindo a tradição, o presidente do Brasil foi o primeiro chefe de Estado a discursar. Checamos algumas das afirmações ditas por ele na abertura do evento.

“Os primeiros dados disponíveis para o último ano já indicam diminuição de mais de 20% do desmatamento naquela região [a Amazônia Legal]”

Presidente Michel Temer, em discurso feito na ONU no último dia 19

RECORTES-POSTS-AINDA-E-CEDO

Desde 1988, o Prodes, projeto vinculado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), municia o governo brasileiro com dados sobre o desmatamento da Amazônia Legal. É com base nele que são estabelecidas as políticas públicas sobre o assunto. O Prodes monitora a área desmatada na Amazônia Legal com o apoio de imagens de satélite e produz relatórios frequentes. Os dados referentes a 2017 ainda não foram publicados.

Com base nas últimas informações, no entanto, constata-se que, entre 2015 e 2016, houve um aumento de 27% no desmatamento dessa região. No ano passado, a Amazônia Legal perdeu 7.893 km² de área verde contra 6.207 km² no ano anterior.

Ainda vale destacar que, enquanto não são divulgadas as informações oficiais do Prodes relativas ao ano de 2017, ONGs e Oscips (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público) publicam pesquisas sobre o assunto. O Imazon, que é um instituto de pesquisa do Pará, por exemplo, apontou uma queda de 21% no desmatamento entre julho de 2016 e agosto de 2017. 

Beto Veríssimo, pesquisador do Imazon, disse à Lupa que presidentes e ministros do meio ambiente do Brasil costumam usar os dados oficiais do Inpe (Prodes) para as suas posições e falas internacionais e que os sistemas de satélite utilizados pelos institutos têm resoluções distintas, e, por isso, registram áreas diferentes.

Em nota, a Presidência reconhece que Temer usou um “dado extraoficial” na ONU, o do Imazon.


“A energia limpa e renovável no Brasil representa mais de 40% da nossa matriz energética: três vezes a média mundial”

RECORTES-POSTS-VERDADEIRO

O Balanço Energético Nacional 2017, que é feito pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia, com base em dados do ano anterior, aponta que a participação de energias renováveis na matriz energética brasileira realmente está entre as mais elevadas do mundo.

Em 2016, elas representavam 43,5% do total, acima dos 41,3% registrados em 2015 e dos 39,4% de 2014. De acordo com o mesmo documento, a média mundial em 2014 – último ano disponível para consulta – era de 13,5%. Nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 9,4%.


“Acabamos de modernizar também nossa lei de migração, pautados pelo princípio da acolhida humanitária”

RECORTES-POSTS-VERDADEIRO-MAS

No dia 25 de maio deste ano, o presidente Michel Temer sancionou a Lei de Migração, que substituiu o Estatuto do Estrangeiro, criado durante a ditadura militar e com foco na segurança nacional. Mas o presidente vetou 18 pontos do texto. Entre eles, a possibilidade de um estrangeiro não residente exercer cargo, emprego ou função pública no Brasil. No veto, Temer afirmou que isso seria uma “afronta à Constituição e ao interesse nacional”.

*Com a colaboração de Nathalia Afonso, sob a supervisão de Cristina Tardáguila.

**Esta reportagem foi publicada na edição impressa do jornal Folha de S.Paulo no dia 20 de setembro de 2017.

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Francisco Silva

Proprietário da web Rádio Amazônia Central, Acadêmico em sistemas de informação 8º período (2/2017) e Editor de imagens. WhatsApp (69) 9 9283-9969

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